domingo, 18 de julho de 2010

Algumas poesias de Marcelo Bizar

Cantiga enfadonha (de)para um poeta

Em busca do verso
que se acomode
no ninho incólume
do contrasenso
paisagens norteiam
nortes, não-nortes
e as bússolas falham
com seus ponteiros
o verso que antes
cabia à monta
hoje nada pode
realizar
verso por verso
vida por vida
verso que à vida
pode esperar


O pesto à montada
reclamava o Tejo
das suas ideias
do que não poderia
mais versejar

Encontra o vinho
que lhe adormece
e sonha com ninfas
do entretanto
parece uma peça
de teatro mudo
ourives das danças
de entre-pestes
cajado partido
por imprudência
o gajo disforme
se estremesse
vinho por vinho
morte por morte
vinho que à morte
quer celebrar

O resto à parada
revolta o mundo
das suas madeixas
de máculas imundas
mas quer voar

poeta ele diz
que já lhe cabe
mas não reconhece
seu moribundo
vivido por ele
como um comparsa
o gajo poeta
descobre ao fundo
o seu enfadar-se
e então se cala






M.Bizar
]




Faces

Leva um susto e nada diz
o mundo ferve e ele anda nas nuvens
seu olhar sem fúria, seus dentes alvos
o andar reto, sem dúvidas, o carrega
o homem da face congelada
não queria lutar por nada
o homem de uma só face
tenta usar seu sorriso pra se esconder
diante de suas duras faces que oculta

Não há cara com face
só há homem de faces
de fases, de marcas
de ódio e amor
as frases que ditam
verdades e mentiras
dores e alegrias
de noite e de dia
na terra, no ar
então lance a moeda
e um dos lados lhe dirá
a face que hoje o homem vai usar


O medo e a coragem de mãos dadas
procuram nas faces do homem sem rosto
as curvas fincadas na pele envelhecida
o sorriso congelado ainda ele mostra
o homem da face congelada
não muda seu jeito por nada
o homem de uma só face
quebrou seus espelhos pra não se ver
diante de suas duras faces que oculta


Não há cara com face
só há homem de faces
de fases, de marcas
de ódio e amor
as frases que ditam
verdades e mentiras
dores e alegrias
de noite e de dia
na terra, no ar
então lance a moeda
e um dos lados lhe dirá
a face que hoje o homem vai usar


M.Bizar   (05.05.2010)

]





entre mim
e o espelho
um ser
que desaconselho    

M. Bizar
]






ALGUMAS POESIAS ALGUNS SENÕES


A poesia nos dá a dimensão ideal
do ser humano.


O olho do furacão é estrábico.


Poeta é aquele que não faz ideia
diante da folha em branco.




Diz o poeta:
matem a poesia
acabem com a
neurose de versejar
A poesia responde:
não sou feita de versos
mas de ações ao portador


QUEM VEM LÁ
DE ONDE?
PASSOU


olho
d(DENTRO)o
furacão



M.Bizar
]



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